Cada gole é um pequeno respiro, uma recompensa que devolve à alma o direito ao prazer simples.
Tem gente que olha uma taça de cerveja e só vê o preço. Eu vejo um pequeno acerto de contas comigo mesma. Uma reparação silenciosa. Porque às vezes o dia cobra caro demais, nas horas, nas palavras engolidas, nas frustrações e decepções, nos planos que não saíram como o esperado.
Então eu me permito esse gesto: abrir uma garrafa, sentir o som do lacre se soltando e respirar fundo. É como se, por alguns segundos, o mundo desacelerasse. A espuma sobe devagar, o aroma se espalha, e eu lembro que estar viva também é isso, criar pausas, encontrar beleza nos intervalos.
Tomar cerveja não é um gasto. É um jeito líquido de dizer a mim mesma: você fez o seu melhor, e isso basta por hoje. É um lembrete de que o prazer não precisa ser grandioso para ser verdadeiro. Às vezes, basta o gole certo, o copo certo, o silêncio certo.
A cerveja me devolve presença. Ela me ancora no agora, no toque do vidro gelado, na cor âmbar que muda com a luz, na primeira nota amarga que desperta o paladar. E, no fundo, é menos sobre o álcool e mais sobre o ritual, esse instante em que o corpo e a alma finalmente se encontram.
Porque, sinceramente, o que a gente chama de “gasto” é muitas vezes o que nos mantém inteiras. E há dias em que brindar a si mesma é o ato mais justo de amor próprio.
Por: Maria Anita Mendes
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Que bela homenagem! Você está certa, nada como brindar e esquecer por uns momentos os desafios diários. A maneira poética como descreve a sensação deste gole, nos faz refletir sobre a importância do bem-estar. Tenha um ótimo domingo! 🙂🙏🏻✨🍺🍹✍🏻🌌